Nos últimos anos, o Brasil subiu quatro posições no Ranking Mundial de Competitividade Digital. Além disso, o país apresentou melhora nos três fatores avaliados: Conhecimento, Tecnologia e Prontidão para o Futuro. Ainda assim, esse avanço ocorre de forma fragmentada. Hoje, há um contraste acentuado entre ilhas de excelência e áreas de vulnerabilidade digital.
De um lado, existem setores estruturalmente capazes de aproveitar os benefícios desse avanço. De outro, há uma parcela da população que ainda enfrenta dificuldades de acesso, qualificação e integração ao ambiente digital. Por isso, esse cenário não é apenas social. Na prática, ele também redefine diretamente o ambiente competitivo e as condições de crescimento para as empresas no país.
O paradoxo
Essa dinâmica expõe um dos principais desafios do progresso digital brasileiro. Isso porque a competitividade avança mais rápido do que a capacidade da população de absorver, de forma equilibrada, os benefícios da transformação digital. Ao mesmo tempo, fatores sociais ainda dificultam o acesso adequado às inovações tecnológicas. Como consequência, boa parte do país permanece em situação de exclusão digital.
Em outras palavras, quanto mais avanço existe sem capacitação conjunta, maior tende a ser a desigualdade. Assim, os ganhos tecnológicos não se convertem automaticamente em produtividade sistêmica e escala.
Quais são esses fatores?
A baixa atratividade de talentos estrangeiros, a falta de letramento digital e a dificuldade de transferir conhecimento entre academia e setor produtivo ampliam a assimetria no acesso aos benefícios tecnológicos. Com isso, diferentes grupos da sociedade brasileira são afetados de forma desigual.
Por outro lado, os líderes do ranking, como Suíça, Estados Unidos e Hong Kong, mostram outro caminho. Nesses países, fatores como solidez regulatória, acesso a capital de risco, estímulo ao empreendedorismo, retenção e valorização de talentos e integração digital entre governo, empresas e cidadãos ajudam a ampliar e democratizar esses avanços. Portanto, o progresso tecnológico precisa caminhar junto com políticas estruturantes.
Impactos no mercado e próximos passos
Grandes empresas tendem a capturar os ganhos de eficiência com mais rapidez. Enquanto isso, as pequenas e médias enfrentam barreiras maiores de adaptação. No mercado de trabalho, esse processo eleva a demanda por profissionais qualificados. Ao mesmo tempo, aumenta o risco de substituição de trabalhadores com menor escolaridade.
Dessa forma, o gap de qualificação passa a ser um dos principais limitadores de crescimento para as empresas. O Brasil possui ativos relevantes para impulsionar a economia digital, como alto investimento privado em IA, serviços públicos digitalizados e produção científica. No entanto, o desafio é impedir que o avanço tecnológico fique restrito a núcleos isolados. Mais do que isso, o país precisa elevar seu padrão produtivo de forma ampla.
Sem inclusão, a inovação vira privilégio. E, sem inclusão ampla, privilégio não constrói desenvolvimento sustentável.
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Escrito por Francisco Salles, consultor de P&D da FDC Empresa Jr.









