A partir de agosto, Belo Horizonte vai ganhar um novo sistema de semáforos inteligentes. A tecnologia ajusta automaticamente o tempo de abertura e fechamento dos sinais, conforme o volume de carros, ônibus e pedestres em tempo real. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) fez o anúncio nesta semana e classifica o projeto como uma das maiores mudanças na engenharia de trânsito da capital mineira nos últimos anos.
Como funciona a nova tecnologia
Os semáforos tradicionais operam com tempos fixos e pré-programados. Já o novo sistema funciona como uma espécie de “cérebro eletrônico” instalado nos cruzamentos. Sensores e câmeras monitoram o fluxo de veículos e pedestres, enquanto algoritmos de inteligência artificial calculam, instantaneamente, o ciclo ideal de abertura e fechamento de cada sinal. Além disso, o sistema permite a comunicação em rede entre cruzamentos de uma mesma região.
Na primeira etapa, a Prefeitura vai substituir cerca de 500 controladores semafóricos, o que cobre aproximadamente metade do parque semafórico da cidade. As avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos, Pedro II e Amazonas estão entre as vias prioritárias. Pontos no Barreiro e em Venda Nova também entram na lista, já que concentram alto fluxo de veículos e de transporte coletivo.
Segundo a Prefeitura, o impacto imediato no tempo de deslocamento deve ficar em torno de 10% nos trechos com semáforo inteligente. O diretor-presidente da Prodabel, Fernando Lopes, explica que a tecnologia tem uma curva de aprendizagem de aproximadamente três meses. Depois desse período, ou seja, a partir de novembro, a redução no tempo de deslocamento nos horários de pico pode chegar a 30% e 35%, segundo estimativa da própria empresa. Para o prefeito Álvaro Damião, o lançamento é um passo para colocar “Belo Horizonte no patamar das principais capitais do mundo” em termos de mobilidade urbana.
O transporte coletivo também entra entre as prioridades do novo sistema. Os algoritmos vão dar preferência automatizada a ônibus, além de veículos de emergência como ambulâncias e viaturas. Assim, a ideia é criar uma espécie de “onda verde” nos principais corredores, o que reduz paradas desnecessárias e agiliza as viagens de quem depende do ônibus todos os dias.
O caminho até aqui: o debate sobre inovação na gestão pública
O anúncio dos semáforos inteligentes, portanto, reacende um debate que já dura alguns anos em Belo Horizonte: até que ponto a cidade está preparada, tanto legal quanto estruturalmente, para incorporar esse tipo de tecnologia na gestão pública?
Foi justamente essa a discussão levantada em 2023 pela vereadora Marcela Trópia, autora do Marco Municipal das Startups. O projeto de lei buscava facilitar a contratação de soluções tecnológicas inovadoras pela Prefeitura, com o objetivo de enfrentar problemas estruturais da cidade, entre eles o trânsito. Na época, a gestão anterior vetou a proposta. Mesmo assim, a vereadora reapresentou o projeto nos anos seguintes.
Para Marcela Trópia, o anúncio da nova tecnologia representa, de certa forma, a validação de um debate que ela ajudou a colocar na pauta da Câmara Municipal. “Sempre acreditei que boas decisões dependem de dados, tecnologia e planejamento. Tenho muita satisfação em ver Belo Horizonte avançando nessa direção, não porque a ideia é minha, mas porque sempre acreditei que esse era o caminho”, afirma a vereadora.
Segundo ela, o Marco Municipal das Startups sempre teve um objetivo claro: abrir caminho para que a Prefeitura pudesse contratar soluções inovadoras com mais agilidade. “Muitas vezes, uma boa ideia enfrenta resistência antes de se transformar em realidade. O importante é não desistir dela”, diz.
Além disso, ao longo do mandato, a vereadora apresentou outras propostas para modernizar a gestão do trânsito na capital. Uma delas prevê a integração de dados da Prefeitura com plataformas de navegação como Waze e Google Maps. Na prática, portanto, o novo projeto da PBH segue essa mesma direção, já que também prevê a integração do sistema semafórico com aplicativos de navegação.
Próximos passos
A Prefeitura vai começar a instalar os novos controladores a partir de agosto, priorizando os corredores de maior fluxo. No planejamento de longo prazo, a PBH já prepara uma nova licitação, em fase de instrução, para expandir a tecnologia ao restante do parque semafórico da cidade nos próximos anos.
(Com informações da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e do Hoje em Dia.)
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